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FORTE DA BARRA


Ouvia-se dizer que tanto a CMI como a APA tinham a intenção de deitar abaixo o casario antigo do Forte. Segundo a "Nota Informativa da CMI n.º36", vai ser criado um "Plano de Intervenção para a Reabilitação do Forte da Barra". Por tal motivo, a ADIG entendeu por bem fazer o documento histórico que passamos a dar a conhecer aos nossos conterrâneos, já depois de o termos feito chegar à Câmara Municipal de Ílhavo e à Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré.
FORTE DA BARRA – ZONA HISTÓRICA
Através da Nota Informativa n.º36, de 19 de Setembro de 2011, tomámos conhecimento da existência de um “Plano de Intervenção para a Reabilitação do Forte da Barra”, numa parceria entre a Câmara Municipal de Ílhavo e a Administração do Porto de Aveiro. Parabéns pela sensatez. É que o Forte da Barra foi o primeiro lugar da freguesia onde existiu um aglomerado de casas devidamente urbanizado, já com rede pública de abastecimento de água, coisa inédita por aqui noutros tempos.
Há escritos que comprovam a permanência da Aviação francesa, em S. Jacinto e no Forte da Barra, nos últimos meses da I Grande Guerra Mundial (1914-1918). E assim, este lugar da Gafanha, não só por razões geográficas, ficou estreitamente ligado a S. Jacinto e ao mundo. A construção pequena, pintada de amarelo-ocre, com aduelas brancas e portas azuis, funcionou como Casa do Telégrafo destinada informar os hidroaviões que amaravam e descolavam nas águas mansas da ria.
O casarão de 1.º andar, também de cor ocre e aduelas brancas, funcionou como Comando da Aviação Naval. Por que não aproveitar-se este edifício para Museu do Ar, Casa da Música, Casa da Juventude, etc., etc.?




Também noutros tempos se faziam excursões à Aviação para ver de perto os hidroaviões e visitar as oficinas, na altura das mais modernas do país. Foi nos Traveses, igualmente conhecidos por “praia dos tesos”, que Sacadura Cabral testou o hidroavião que faria parte da primeira travessia aérea do Atlântico, de Lisboa ao Rio de Janeiro. A comprovar tal facto, num documento escrito em Fevereiro de 1921 pelo ilustríssimo aviador, pode ler-se:
– “Com a violenta nortada que fazia e auxiliado pela mareta que se tinha formado na Ria de Aveiro, o hidroavião descolou como nunca o vira descolar” (in A Mística de Aveiro na Aviação Naval, do Cap. Joaquim Duarte).
Pelo que acabamos de constatar, a zona do Forte da Barra, e todo o seu casario, ao contrário do que já foi apregoado, é um relicário histórico da Gafanha da Nazaré e também da Aviação Naval portuguesa. Há que saber preservar este local. Tudo indica que assim venha a acontecer, pois por ali ainda se sente o pulsar dos tempos pretéritos, as canseiras dos que por aqui labutaram para chegarmos onde chegámos. Por tal motivo, é de bom senso reabilitar-se o que existe, ou até mesmo demolir-se e reconstruir-se tudo como está, para os vindouros ficarem a conhecer um pouco das suas raízes.
Atrevemo-nos a perguntar: por que as autoridades competentes não intervieram atempadamente para evitar chegar-se àquele estado calamitoso?! Por que não houve o cuidado de preservar aquele lugar, como se fez na Costa Nova? E se chover em demasia e algumas paredes caírem o que acontecerá daí para diante? Recusamo-nos admitir o que por aí se apregoa: “quem manda gizou esta estratégia para que tudo o que existe à volta do forte ruísse”! Só corações muito empedernidos seriam capazes de mandar deitar abaixo uma coisa que é tão nossa. Que a Nossa Senhora dos Navegantes ilumine quem governa, para serem tomadas as medidas mais atiladas para aquele lugar. Deste modo, criava-se mais um pólo de atracção turística, que serviria de apoio ao Porto de Aveiro, e não só.
Pelo que se constata, o casario do Forte é uma Zona Histórica da Gafanha da Nazaré, que complementaria o tão visitado Jardim Oudinot, podendo mesmo funcionar como ponto de diversão alternativa à Barra, onde por vezes é tão difícil chegar. E, por que não, aproveitar-se o R/C do “Castelo da Gafanha” para café, ou restaurante, dando vida à noite num local quase desabitado? E mais: mantendo-se a traça das fachadas das casas que ladeiam pelo Norte a torre do forte, poderia criar-se o Museu da Gafanha da Nazaré – há tanto tempo em falta na nossa terra – ou uma Pousada de Portugal, ou Oficinas de Arte, ou qualquer outra alternativa que sirva para melhorar a qualidade de vida dos gafanhões. O Forte da Barra, caso haja vontade política para isso, será de uma riqueza incalculável para o concelho. É quase um presépio, em ponto grande...
Fica à consideração da Câmara Municipal de Ílhavo, da Administração do Porto de Aveiro e da população da Gafanha da Nazaré que também deve ter uma palavra a dizer sobre este assunto.
Júlio Cirino
(Presidente da ADIG)
Fonte: ADIG

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